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  • Movimento Negro e a Igreja

    Movimento Negro e a Igreja

    Conheça principais tópicos / pautas do Movimento Negro segundo meu ponto de vista e o que podemos trazer para nossas Igrejas.

    A paz, tudo bem?

    No começo dessa semana, fiz uma enquete no Insta para que as pessoas que leiam o blog, dessem uma sugestão sobre o que eu poderia falar sobre o Movimento Negro. Essa pauta, particularmente fala muito comigo, pois graças a esse movimento, eu “Geice” me identifiquei como negra, pois há anos não me via assim.

    E confesso que pedi muita sabedoria pra Cristo, pra falar sobre esse assunto de uma forma clara e objetiva e que principalmente, pudessemos trazer pra dentro de nossas igrejas, para o povo cristão o impacto e importância desse movimento.

    Para começar, vou falar sobre movimentos/ações dentro do Movimento Negro, que geram grandes debates e que as redes sociais burbulham de informações e denúncias. Já vou avisando que não sou especialista nas causas negras, mas sou uma curiosa que vê a necessidade de falar disso.

    • Movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam)

    O movimento BLM (Black Lives Matter) começou em 2013 nos EUA através de uma hashtag, depois que o vigilante de bairro civil matou o adolescente negro Trayvon Martin à tiro e ele foi inocentado e o movimento foi concebido por essas três mulheres: Alicia Garzia (diretora da National Domestic Workers Alliance), Patrisse Cullors (diretora da Coalition to End Sheriff Violence in Los Angeles) e Opal Tometi (ativista pelos direitos dos imigrantes).

    Ele ficou mais conhecido após a morte de George Floyd, que arrastou várias gerações, famosos, artistas às ruas para prostestarem contra a violência policial ao povo negro e também teve um grande alcance aqui no Brasil.

    Podemos aprender com esse movimento, que existe sim uma violência/discrimização contra pessoas negras, que foram “identificadas” em muitas situações, como criminosas. Tanto nos EUA como no Brasil, você vê um jornal ou no Instagram, denúncias e matérias sobre isso.

    E nos faz, abrir os olhos e começar a reparar, se nossos amigos, familiares, colegas e membros de igreja, têm comportamentos racistas, que podem não chegar a violência, mas que causam um desconforto ou mágoa em nossas vidas.

    • Racismo estrutural e institucional

    Ah essa parte! Antes de explicar o que é, como acontece, preciso deixar essa informação bem clara, EXISTE RACISMO NO BRASIL. Falo isso, porque já ouvi de pessoas estudadas que “não existe racismo no Brasil, isso ficou lá na época da escravidão” e com isso, discriminam, brincam e julgam não ser racistas.

    No Brasil, desde a época da escravidão, o povo negro vêm sido marcado com a discriminação e a manifestação do racismo ele vem sido inserida nas estruturas de organização da sociedade e instituições. Você vê um privilégio a determinado grupo de pessoas em diversas esferas da vida, justamente em razão da etnia.

    Ou seja, você vê grande parte de pessoas brancas com condição financeira muito boa, estudando em escolas particulares uma vida toda, com um ótimo ensino e adquirindo as melhores vagas de empresas e se tornando CEO em pouco tempo e por outro lado, você vê um negro pobre, muitas vezes sem estrutura, estudando em escola pública, alguns fazendo uma faculdade particular e trabalhando pra se manter e se depara com uma concorrência gigantesca no mercado de trabalho.

    Com esse exemplo, é perceptível que há um racismo que vai além de frases e atitudes preconceituosas, ela ultrapassa as esferas da sociedade. E aprendemos que é possível reverter esse quadro, o importante é a gente identificar que isso está inserido na sociedade (escola, empresas, igrejas), denunciar e debater sobre esse assunto, para assim, gerar fome, curiosidade e entendimento dessa causa.

    • Movimento Black Money

    O Movimento Black Money é um hub de inovação para inserção e autonomia da comunidade negra na era digital junto a transformação do ecossistema empreendedor negro, com foco em comunicação, educação e geração de negócios pretos (MBM,2020). Ou seja, esse movimento têm a visão da comunidade negra consumir produtos, serviços de outros pretos e com isso, gerar renda, emprego, incentivo, justamente porque a população negra corresponde a 75% da faixa dos 10% mais pobres em território nacional (Metrópoles, 2020).

    Esse movimento têm um poder muito grande, porque além de incentivar o jovem negro a criar um próprio negócio também o incentiva a continuar crescendo, pois ele terá um público que o abraçará. Incentiva a criar produtos com temas da comunidade negra, que ensinam de alguma forma, que não há espaço pro racismo.

    Então a partir de hoje, pense antes de comprar algo, vê se aquilo vai beneficiar uma grande marca, que já está inserida em vários países ou se vai beneficiar aquela hamburgueria, salão de cabeleleiro do bairro. Não estou falando pra não consumir algo de uma marca famosa, mas compre com consciência, quem sabe aquela sua trancista não fique um dia bem conhecida, abrindo vários salões e gerando emprego pra sua comunidade?!

    E voltando a pauta, eu não posso deixar de falar de uma das pessoas que marcaram esse movimento, que até hoje têm uma influência em nossas músicas, filmes, séries, etc.

    • Martin Luther King

    Martin Luther King nasceu em Atlanta em 15 de janeiro de 1929. Ele era pastor de uma igreja batista e ativista pela luta da igualdade civil entre negros e brancos, ele sempre pregou a não-violência e desobediência civil. E o marco da sua história, foi quando em 28 de agosto de 1963, ele fez um discurso com a famosa frase: “I Have a Dream…”, em que defendeu o fim da marginalização dos negros, a liberdade e a igualdade.

    E como grande influenciador da história americana, teve um fim muito triste e violento, ele foi morto em sua sacada do quarto aos 39 anos com um tiro disparado de fora do prédio.

    E com sua história, luta, marchas, podemos tira como ótimo exemplo de um cristão que não achava certo ter discriminação entre negros e brancos não somente de sua igreja, mas do seu país. Eu aprendo com ele, que nós podemos tirar esse mal do nosso meio, que quer nos dividir, nos ferir e nos fazer odiar ao próximo.

    E você deve estar se perguntando o que isso tudo tem a ver com a Igreja?! A grande maioria da população é negra e vejo muitos em nossas igrejas, então precisamos sim, abordar, ensinar, debater com nossas crianças, adolescentes, jovens e idosos, que negro é bonito, normal, foi feito por Deus e que existe o racismo, mas que ele precisa ser exterminado de nossas igrejas. Se o mundo lá fora fala de movimentos sociais, porque temos que nos calar?

    A gente precisa com urgência, ter um olhar de empatia a movimentos sociais e não generalizar falando que são mimizeiros. Pois é muito fácil, determinada pessoa, nunca ter sofrido nenhuma discrimização achar que todos vivem da mesma maneira.

    Portanto, vamos realmente viver o Amor ao próximo e não só usar como discurso/sermão em nossos púlpitos. E lembrem-se, denunciar comportamentos racistas, homofóbicos, xenofóbicos dentro de nossas igrejas, não é pecado e sim dever de todos!!

    Deus abençoe a todos!!

    Espero que tenham gostado da leitura, compartilha com quem precisa e depois me falam o que achou.